Educação

Escolas particulares perdem um terço das matrículas na pandemia

Institui√ß√Ķes mais afetadas s√£o as de pequeno e m√©dio porte

Por Mariana Tokarnia / Agência Brasil

01/05/2021 às 11:40:40 - Atualizado h√°
Foto: Studio Formatura / Galois

As escolas particulares perderam, com a pandemia, cerca de um ter√ßo das matrículas em todo o país, de acordo com relatório produzido pelo Grupo Rabbit, consultoria de gest√£o escolar. As institui√ß√Ķes mais afetadas foram as de pequeno e médio porte, com até 180 alunos.

A estimativa é baseada nos dados do Censo Escolar de 2018 e em pesquisa feita com mais de 1,2 mil escolas em todo o Brasil entre setembro de 2020 e mar√ßo de 2021. Ao todo, estima-se que 2,7 milh√Ķes de estudantes tenham deixado as escolas privadas, o que representa 34% dos alunos dessas institui√ß√Ķes de ensino.

As escolas mais afetadas foram aquelas de pequeno e médio porte, com até 180 alunos, que comp√Ķem a maior fatia do mercado. Elas chegaram a perder de 38% a 41% de suas matrículas, respectivamente, de acordo com o relatório. J√° aquelas com mais de 550 alunos foram proporcionalmente menos prejudicadas, conseguindo reter cerca de 80% das matrículas.

A estimativa é que cerca de um ter√ßo dos estudantes que deixaram as institui√ß√Ķes particulares tenha migrado para escolas públicas. Outros dois ter√ßos permanecem sem perspectiva de estudo, sendo a maioria, mais jovem.

"A pandemia foi acachapante para todos setores produtivos", disse o presidente da Federa√ß√£o Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Ademar Batista. "Acredito que houve uma perda de alunos, a crise é grande, as pessoas est√£o com dificuldade de pagar".

Segundo Batista, no entanto, a Fenep acredita que as perdas foram menores do que a estimada no levantamento. Ele afirma que só se saber√° ao certo quantos estudantes deixaram as escolas particulares com os dados do Censo Escolar 2020 e 2021. Segundo o presidente da Fenep, muitas das famílias, com a suspens√£o das aulas presenciais, sobretudo na educa√ß√£o infantil, retiraram as crian√ßas das escolas particulares. Esses estudantes devem retornar, quando a situa√ß√£o melhorar.

"No ano passado, as escolas tiveram mais dificuldade, mas se estruturaram, se adaptaram, fizeram forma√ß√Ķes, contrataram plataformas [para ensino online]. Temos um protocolo seguro. As escolas est√£o estruturadas e os alunos est√£o aprendendo", diz, Batista.

Retomada

O relatório mostra ainda que, desde o início deste ano, a procura por colégios particulares cresceu 88%. Essa busca, no entanto, ainda aquém do registrado no cen√°rio pré-pand√™mico. De acordo com a consultoria, a procura agora é maior por escolas menores por fatores socioeconômicos, que fizeram com que muitas famílias reduzissem a renda na pandemia e por essas escolas serem mais acessíveis.

Enquanto colégios com mais de 500 alunos chegaram a um crescimento de 16%, as escolas com até 150 estudantes tiveram o dobro de crescimento da matrícula desde setembro do ano passado.

"Hoje, as escolas todas, inclusive as de educa√ß√£o infantil, se prepararam, seguindo os protocolos estaduais e municipais de saúde", ressaltou o vice-presidente da Associa√ß√£o Brasileira de Educa√ß√£o Infantil (Asbrei), Frederico Venturini. O ensino infantil perdeu muitas matrículas, segundo ele, pela dificuldade de se adaptar ao ensino remoto. As crian√ßas, nessa etapa, t√™m até 5 anos de idade e o ensino é voltado para a conviv√™ncia e para o brincar.

"Foi um erro do país inteiro deixar as crian√ßas afastadas da escola. O que estamos vendo agora é uma conscientiza√ß√£o maior, inclusive das famílias, da necessidade desses alunos retornarem ao ambiente escolar", defende, Venturini. De acordo com ele, as escolas est√£o usando estratégias como aulas em espa√ßos externos para reduzir o risco de cont√°gio pelo coronavírus, além do uso de m√°scaras, do distanciamento, da higieniza√ß√£o e ensino híbrido - mesclando aulas presenciais e ensino remoto.

A inclus√£o de professores e trabalhadores em educa√ß√£o como grupo priorit√°rio na vacina√ß√£o é também um fator que anima o setor. Essa é uma das demandas de educadores e funcion√°rios do setor público e privado para um retorno mais seguro às salas de aula.

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