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Flávio Bolsonaro diz que pai foi aconselhado a dar um golpe

"Se o presidente fosse fazer o que essas pessoas queriam, ter√≠amos um ditador aqui", disse o senador em entrevista à revista Veja

Por G7 Bahia

19/12/2021 às 15:15:50 - Atualizado h√°
Foto: Reprodução

O senador Fl√°vio Bolsonaro (PL-RJ), filho "Zero Um" do presidente Jair Bolsonaro, revelou que o pai foi aconselhado a promover uma "ruptura institucional" perto do feriado de Sete de Setembro, mas que n√£o o fez por n√£o ter "perfil de ditador". A sugest√£o, segundo ele, era motivada por decis√Ķes contr√°rias ao chefe do Executivo tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Meses depois, porém, o parlamentar diz acreditar que, agora, a rela√ß√£o entre os Poderes est√° pacificada. "N√£o h√° nenhuma possibilidade de meu pai fazer algo fora da Constitui√ß√£o", afirmou em entrevista à revista Veja.

"Tinha conselheiro dizendo que o presidente n√£o devia mais ceder, que o Supremo havia ultrapassado o limite, que acabou", disse o senador, sem revelar quem seriam esses conselheiros.

"Se o presidente fosse fazer o que essas pessoas queriam, teríamos um ditador aqui. Mas esse n√£o é o perfil do meu pai", acrescentou.

No feriado da Independ√™ncia, o chefe do Planalto convocou uma multid√£o às ruas de todo o País e fez discursos de car√°ter golpista, contestando o Supremo e seus ministros. Referindo-se a Alexandre de Moraes, adotou tom amea√ßador: "ou ele se enquadra, ou pede para sair". Dois dias depois, porém, Bolsonaro recuou e, amparado pelo ex-presidente Michel Temer, divulgou a "Declara√ß√£o à Na√ß√£o", carta que estabeleceu uma trégua com o magistrado e a Corte.

Segundo "Zero Um", o Sete de Setembro foi o momento de maior tens√£o do governo até hoje. O presidente, disse Fl√°vio, j√° estava "saturado" com decis√Ķes do Judici√°rio — descritas pelo senador como "absurdas, tomadas para provocar, desgastar". Este ano, a Corte expediu ordens de pris√£o e busca e apreens√£o contra associa√ß√Ķes, políticos e personalidades aliadas ao presidente da República.

"N√£o d√° para alguém se intitular o salvador da P√°tria, como se estivesse defendendo o Brasil de um ditador chamado Bolsonaro", afirmou o senador. Embora ele tenha optado por n√£o citar nomes, os maiores desafetos de seu pai na Corte s√£o os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, que encerra nesta sexta-feira, 17, seu mandato como presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

O senador também reagiu às pesquisas eleitorais, nas quais seu pai aparece atr√°s do ex-presidente Luiz In√°cio Lula da SIlva (PT) nas proje√ß√Ķes para 2022. Segundo Fl√°vio, os levantamentos s√£o "furada" e n√£o refletem as ruas: "(As pesquisas) s√£o feitas pelos mesmos institutos que, em 2018, diziam que Bolsonaro perdia para todo mundo, e ele se elegeu presidente. Hoje é o mesmo cen√°rio: Bolsonaro continua indo para a rua e sendo bem-recebido — ao contr√°rio de seus advers√°rios, que nem ao menos saem às ruas por medo de como vai ser o julgamento popular".

Bastidores

Na entrevista, Fl√°vio também disse que havia pessoas trabalhando nos bastidores para derrubar seu pai. O senador citou o nome de Rodrigo Maia (sem partido) e afirmou que Maia "tentou atrair ministros do Supremo para um plano que previa criar uma armadilha que levaria ao impeachment do presidente". Segundo Fl√°vio, essa informa√ß√£o chegou até ele por meio de um ministro do Supremo.

Ao Estad√£o, Rodrigo Maia negou a acusa√ß√£o de Fl√°vio. "Contar mentiras, inventar histórias é algo bem típico da família Bolsonaro. Tal pai, tal filho. Dois imbecis", disse.

Fonte: Terra
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