Política Luto

Morre, em Brasília, o ex-vice-presidente da República Marco Maciel

Velório está marcado para esta tarde no salão Negro do Senado

Por G7 Bahia

12/06/2021 às 11:33:52 - Atualizado h√°
Foto: Arquivo Agência Brasil

Morreu neste s√°bado (12), em Brasília, o ex-senador e ex-vice-presidente da República Marco Maciel. Pernambucano, seu nome esteve ligado à política brasileira por 45 anos.

Aos 80 anos, Marco Maciel convivia com a doença de Alzheimer desde 2014 e, em março deste ano, foi diagnosticado com covid-19. Ele voltou a ser internado esta semana devido a uma infecção bacteriana.

O velório ser√° hoje de 14h30 às 16h30 no sal√£o Negro do Senado e o sepultamento às 17h30 na Ala dos Pioneiros do Cemitério Campo da Esperan√ßa, em Brasília.

Além de ter sido senador por tr√™s períodos - de 1983 a 1991, de 1991 a 1994 e de 2003 a 2011 – ele foi vice-presidente da República nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 1999 e de 1999 a 2003.

Também foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 18 de dezembro de 2003, como oitavo ocupante da Cadeira n¬ļ 39, na sucess√£o de Roberto Marinho.

Recebeu ainda títulos de Cidad√£o Honor√°rio de 42 cidades brasileiras, a maioria delas em Pernambuco. A ele é atribuída a autoria de frases célebres como: "Tudo pode acontecer, inclusive nada".

Trajetória

Marco Antônio de Oliveira Maciel nasceu em Recife no dia 21 de julho de 1940. Casado com a socióloga Anna Maria Ferreira Maciel, foi pai de tr√™s filhos e avô de quatro netos. Era formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e também foi professor e advogado.

Iniciou sua carreira política em 1963 ao ser eleito presidente da Uni√£o Metropolitana dos Estudantes de Pernambuco, enquanto cursava Direito na UFPE. Elegeu-se em 1966 deputado estadual em Pernambuco pela Alian√ßa Renovadora Nacional (Arena), partido de sustenta√ß√£o do governo militar.

Também pela Arena, foi deputado federal por dois mandatos, de 1971 a 1974 e de 1975 a 1978. Eleito presidente da C√Ęmara dos Deputados em fevereiro de 1977, enfrentou em abril o fechamento provisório do Congresso pelo ent√£o presidente da República, Ernesto Geisel, sob o pretexto de implementar a reforma no Poder Judici√°rio proposta pelo governo, cujo encaminhamento vinha sendo obstruído pela oposi√ß√£o.

No final de 1978, foi eleito pela Assembleia Legislativa de Pernambuco para o cargo de governador do estado, após indica√ß√£o do presidente Ernesto Geisel, corroborada pelo sucessor de Geisel, general Jo√£o Batista Figueiredo. Seu mandato terminou em 1982 e, no ano seguinte, chegou ao Senado.

Vice-Presidência

Em 1994, Marco Maciel foi indicado pelo PFL para substituir o senador alagoano Guilherme Palmeira como vice-presidente na chapa de Fernando Henrique Cardoso. A candidatura de Palmeira havia sido inviabilizada após denúncia de favorecimento de empreiteira por meio de emendas ao Or√ßamento da Uni√£o. Maciel havia sido um dos primeiros líderes de seu partido a defender o apoio do PFL ao nome de Fernando Henrique.

Em 1¬ļ de janeiro de 1995, Maciel tomou posse como vice-presidente da República. Com bom tr√Ęnsito no Congresso Nacional, foi designado por Fernando Henrique como articulador político do governo. Dessa forma, coube a Maciel coordenar as negocia√ß√Ķes em torno da aprova√ß√£o das reformas constitucionais defendidas pelo novo governo, entre as quais se destacavam as reformas administrativa e fiscal voltada para o controle do deficit público, a reforma da Previd√™ncia Social, a quebra do monopólio estatal sobre o petróleo e as telecomunica√ß√Ķes, a reforma administrativa e a extin√ß√£o dos obst√°culos à atua√ß√£o de empresas estrangeiras no país.

Em 1¬ļ de janeiro de 2003, deixou a vice-presid√™ncia da República e, no m√™s seguinte, assumiu sua vaga no Senado por Pernambuco, eleito pelo PFL. Tendo apoiado o candidato José Serra (PSDB) nas elei√ß√Ķes de 2002, vencidas por Luiz In√°cio Lula da Silva, Maciel passou a fazer oposi√ß√£o ao novo governo. Ainda em 2007, filiou-se ao Democratas (DEM), sigla que sucedeu o PFL.

Repercuss√£o

Em nota, o presidente Nacional do Democratas, Antonio Carlos Magalh√£es Neto, lembrou que Marco Maciel foi um dos fundadores do partido. "Neste 12 de junho, o Democratas se despede, j√° com o cora√ß√£o saudoso, de um dos seus fundadores. Marco Maciel foi um dos mais importantes quadros do nosso partido. Com sua exemplar atua√ß√£o na vida pública, escreveu uma história irretoc√°vel de dedica√ß√£o ao nosso país", disse.

Para ACM Neto, o ex-vice-presidente da República "foi uma lideran√ßa capaz de motivar políticos de todas as idades. Quando ainda no movimento da Juventude do PFL, recebi palavras e gestos significativos de incentivo que jamais vou me esquecer. Mesmo carinho que nosso fundador direcionou a muitos jovens e políticos ao longo de toda a sua vida", acrescentou.

"Homem de elevado espírito público, tenho certeza que o legado de Marco Maciel ser√° lembrado por toda nossa história. Hoje, envio toda solidariedade e carinho aos familiares e amigos deste grande líder. Um sincero e fraterno abra√ßo da família Democratas", finalizou.

O presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, disse que a partida de Marco Maciel " inflige enorme perda para a política brasileira e a arte da concilia√ß√£o". "Meus sentimentos à sua família, amigos e admiradores", disse, em nota.

A morte do ex-vice presidente também repercutiu nas redes sociais. O conterr√Ęneo Mendon√ßa Filho, ex-ministro da Educa√ß√£o, lamentou a morte, assim como outros políticos.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes também lamentou a morte.

*Com informa√ß√Ķes da Ag√™ncia Senado e Ag√™ncia Brasil.

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